Vacivus, Tenebra, Mare, Lux

Caí há tempos.

Uma queda interminável nas sombras do Abismo. Caí porque quis. Lá não era meu lugar. Nunca quis ser iluminado por outra luz.

Primeiro, a escuridão. A tranquilidade, a paz do Vazio. Era bom. Apenas eu.

Mas, eventualmente, o espírito inconformista, questionador me impeliu. “O que haverá além das Sombras?” – pensei – “E como sair do Vazio, sem perder a segurança das Sombras?”.

Reentrei o mundo onde há luz. Comigo vieram as minhas sombras, meus (agora domesticados) demônios interiores e meu Passageiro.

Muito a ver, muito a aprender neste mundo de luz e sombras. Mas nunca me senti vivo. Não por mais que alguns momentos fugazes.

O Vazio, então, embora clamasse por mim e eu por ele, tornou-se também algo dolorido.

Nunca desejei ser iluminado por outra luz, nem tampouco quis iluminar a ninguém. Ainda assim obtive conforto em um Anjo que resolveu me acompanhar.

E de repente, surge você em meio a bruma. E dizes que “minha luz” te faz bem.

E agora, por motivos insondáveis que nem Cronos nem Kali Maa caso saibam, ousam responder, quero ficar, e ser teu luminar.

Ser teu oxigênio. Ser teu Mar.

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