Corpo, saudade, solidão…

Sinto meu corpo reclamar.

O joelho, cuja dor é minha companheira há tanto tempo quanto consigo lembrar, mas agora também outros músculos, e também minhas costas. Será o Tempo avisando que breve cobrará seu tributo? Por vezes penso que desperdicei a juventude, que não vivi o que e o quanto poderia. Sinto que quando resolvo viver, já é tarde.

Sinto a saudade apertar.

Saudade de minha parceira, saudade de minha companheira. A falta das duas me dói. Elas estão cuidando de suas questões, assim como cuido das minhas. De uma, eu sabia (nós sabíamos) que a proximidade constante seria passageira, mas o que o intelecto sabe, não reduz o que o coração irá sentir. Da outra, nunca pensei que haveria proximidade, mas agora não consigo ficar bem sem.

Sinto a solidão aqui.

Sozinho, comigo mesmo. A mente divaga. Faço o que devo fazer, e um pouco do que quero fazer. Sinto sono mas não quero dormir.

Ou nem sinto sono, apenas cansaço.

Estou aqui, processando as últimas notícias, tentando entender. E sem ainda saber o que fazer.

***

Hamlet: Ato III – Cena I (Solilóquio de Hamlet)

“Ser ou não ser – eis a questão.
Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angústias –
E combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer – dormir –
Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do mando, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem agüentaria os fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Senão, porque o terror de alguma coisa após a morte –
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outros que desconhecemos? …”

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Profissão: Jornalismo [Citação]

Como eu não teria escrito melhor (até porque não exerço a profissão, nem tenho a formação – tentei – embora tenha certa vocação), segue a “voz” de Ana Freitas:

Na quarta-feira o STF votou, por 8 a 1 (uhú!), o fim da obrigatoriedade de diploma de jornalismo para exercer a profissão. Eu trabalho numa redação, uma das maiores do país, e sinceramente não vi ninguém chorando por lá. Mas no Twitter eu vi. Ah, como vi gente se lamentando. “Ai, porque é um absurdo”. “Ai, porque isso é desvalorização da educação no país”. “Ai, porque agora qualquer um pode ser jornalista…”

Aaaahh, a tradicional arrogância da classe. A maior prova dela é uma porção de gente ter se ofendido com a comparação do ministro de jornalista com cozinheiro. Gente escrota. Desde quando ser jornalista é melhor do que ser cozinheiro? Quem devia se ofender é o cozinheiro, po.

Amigo que não é jornalista, tem algumas coisas que você precisa saber. A primeira delas é que o mercado de jornalistas está repleto de gente que exerce a profissão de maneira formidável e não é formado, desde muito tempo. A segunda é que a faculdade de jornalismo no Brasil forma pequenos especialistas em grandes generalidades com vagas noções de técnicas de redação. A terceira é que… sei lá, não tem terceira. Sou jornalista, não sei contar.

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(Via Olhômetro)

Arrumando as casas, interna e externa…

…incluindo o tema do blog (ainda não definido).

Ando [re]aprendendo coisas ultimamente, pesando questões e valores internos.

Você me desafia, me provoca, me induz ao questionamento, à dúvida (que ao contrário da “verdade”, realmente liberta).

Certas coisas permancem, já que “conforme passa o tempo, ficamos cada vez mais como nós mesmos”, não obstante as mudanças. Em tempos de revisão interior, ou “regeneração” sempre retorno a certas fontes, que assustam a alguns, mas são, para quem quer entender bem saudáveis. Tenho pensado sobre estes tópicos, em especial o destacado:

The Nine Satanic Statements
from The Satanic Bible, ©1969
by Anton Szandor LaVey

  1. Satan represents indulgence instead of abstinence!
  2. Satan represents vital existence instead of spiritual pipe dreams!
  3. Satan represents undefiled wisdom instead of hypocritical self-deceit!
  4. Satan represents kindness to those who deserve it instead of love wasted on ingrates!
  5. Satan represents vengeance instead of turning the other cheek!
  6. Satan represents responsibility to the responsible instead of concern for psychic vampires!
  7. Satan represents man as just another animal, sometimes better, more often worse than those that walk on all-fours, who, because of his “divine spiritual and intellectual development,” has become the most vicious animal of all!
  8. Satan represents all of the so-called sins, as they all lead to physical, mental, or emotional gratification!
  9. Satan has been the best friend the Church has ever had, as He has kept it in business all these years!

E sim, todos tem elaborações que exemplificam de forma clara e civilizada os porquês.

Penso mais ainda sobre os segunites “pecados”, especialmente porque ando a cometer alguns:

The Nine Satanic Sins
by Anton Szandor LaVey ©1987

  1. Stupidity—The top of the list for Satanic Sins. The Cardinal Sin of Satanism. It’s too bad that stupidity isn’t painful. Ignorance is one thing, but our society thrives increasingly on stupidity. It depends on people going along with whatever they are told. The media promotes a cultivated stupidity as a posture that is not only acceptable but laudable. Satanists must learn to see through the tricks and cannot afford to be stupid.
  2. Pretentiousness—Empty posturing can be most irritating and isn’t applying the cardinal rules of Lesser Magic. On equal footing with stupidity for what keeps the money in circulation these days. Everyone’s made to feel like a big shot, whether they can come up with the goods or not.
  3. Solipsism—Can be very dangerous for Satanists. Projecting your reactions, responses and sensibilities onto someone who is probably far less attuned than you are. It is the mistake of expecting people to give you the same consideration, courtesy and respect that you naturally give them. They won’t. Instead, Satanists must strive to apply the dictum of “Do unto others as they do unto you.” It’s work for most of us and requires constant vigilance lest you slip into a comfortable illusion of everyone being like you. As has been said, certain utopias would be ideal in a nation of philosophers, but unfortunately (or perhaps fortunately, from a Machiavellian standpoint) we are far from that point.
  4. Self-deceit—It’s in the “Nine Satanic Statements” but deserves to be repeated here. Another cardinal sin. We must not pay homage to any of the sacred cows presented to us, including the roles we are expected to play ourselves. The only time self-deceit should be entered into is when it’s fun, and with awareness. But then, it’s not self-deceit!
  5. Herd Conformity—That’s obvious from a Satanic stance. It’s all right to conform to a person’s wishes, if it ultimately benefits you. But only fools follow along with the herd, letting an impersonal entity dictate to you. The key is to choose a master wisely instead of being enslaved by the whims of the many.
  6. Lack of Perspective—Again, this one can lead to a lot of pain for a Satanist. You must never lose sight of who and what you are, and what a threat you can be, by your very existence. We are making history right now, every day. Always keep the wider historical and social picture in mind. That is an important key to both Lesser and Greater Magic. See the patterns and fit things together as you want the pieces to fall into place. Do not be swayed by herd constraints—know that you are working on another level entirely from the rest of the world.
  7. Forgetfulness of Past Orthodoxies—Be aware that this is one of the keys to brainwashing people into accepting something new and different, when in reality it’s something that was once widely accepted but is now presented in a new package. We are expected to rave about the genius of the creator and forget the original. This makes for a disposable society.
  8. Counterproductive Pride—That first word is important. Pride is great up to the point you begin to throw out the baby with the bathwater. The rule of Satanism is: if it works for you, great. When it stops working for you, when you’ve painted yourself into a corner and the only way out is to say, I’m sorry, I made a mistake, I wish we could compromise somehow, then do it.
  9. Lack of Aesthetics—This is the physical application of the Balance Factor. Aesthetics is important in Lesser Magic and should be cultivated. It is obvious that no one can collect any money off classical standards of beauty and form most of the time so they are discouraged in a consumer society, but an eye for beauty, for balance, is an essential Satanic tool and must be applied for greatest magical effectiveness. It’s not what’s supposed to be pleasing—it’s what is. Aesthetics is a personal thing, reflective of one’s own nature, but there are universally pleasing and harmonious configurations that should not be denied.

Citações: Church of Satan

(Obs.: Fiz, há anos traduções dos textos acima, mas não os tenho à mão, depois edito o post. Enquanto isso, a Busca Google e o Google Translate são seus amigos)

Uma verdade…

… que já me disseram:

No one falls in love by choice,
It is by chance.

No one stays in love by
chance,
It is by work.

And no one falls out of love
by chance,
it is by choice.

Tradução minha (que perde parte do lirismo, mas nada do significado):

Ninguém ama por escolha,
e sim por acaso.

Ninguém mantém o amor por
acaso,
e sim com trabalho.

E ninguém deixa de amar
por acaso,
e sim por escolha.

(Via Don’t touch my Moleskine)