Vacivus, Tenebra, Mare, Lux

Caí há tempos.

Uma queda interminável nas sombras do Abismo. Caí porque quis. Lá não era meu lugar. Nunca quis ser iluminado por outra luz.

Primeiro, a escuridão. A tranquilidade, a paz do Vazio. Era bom. Apenas eu.

Mas, eventualmente, o espírito inconformista, questionador me impeliu. “O que haverá além das Sombras?” – pensei – “E como sair do Vazio, sem perder a segurança das Sombras?”.

Reentrei o mundo onde há luz. Comigo vieram as minhas sombras, meus (agora domesticados) demônios interiores e meu Passageiro.

Muito a ver, muito a aprender neste mundo de luz e sombras. Mas nunca me senti vivo. Não por mais que alguns momentos fugazes.

O Vazio, então, embora clamasse por mim e eu por ele, tornou-se também algo dolorido.

Nunca desejei ser iluminado por outra luz, nem tampouco quis iluminar a ninguém. Ainda assim obtive conforto em um Anjo que resolveu me acompanhar.

E de repente, surge você em meio a bruma. E dizes que “minha luz” te faz bem.

E agora, por motivos insondáveis que nem Cronos nem Kali Maa caso saibam, ousam responder, quero ficar, e ser teu luminar.

Ser teu oxigênio. Ser teu Mar.

A vida como ela está

Há tempos não escrevo aqui.

Antes mesmo dos acontecimentos em minha vida que motivaram alteração de endereço (Antes Méier, agora Quintino, via Santa Teresa), já havia reduzido o ritmo.

Agora que parte da poeira baixou, embora ainda esteja em meio a uma nova regeneração gallifreyana (outra, já?), preparando o surgimento do Sexto Lee, volto aqui para um pequeno comentário:

O blog não acabou. Novo endereço, ainda sem internet, significa impossibilidade de postar de forma constante. Aliás, até ontem, nem estava com o PC instalado.

Eu não morri. Se bem que poeticamente, pode-se entender que várias vezes morri nos últimos tempos. Mas enfim, acá estou.

Eu (ainda) posso ser surpreendido por momentos surreais. E o quão surreal foi aquilo?

O Passageiro, aquela sombria figura que sussura de forma ensurdecedora, está absolutamente calado.

As rédeas estão firmes, e em minhas mãos. Os tempos de ficar à mercê dos ventos, ao que parece, se foram.

Ser alfa é interessante, devia ter tentado antes. Entretanto vale a frase de Ché: “Hay que endureserce, pero sin perder la ternura jamás“.

Regeneração dói. Faça isso, mas nunca seguidamente.

Posso ser um Anjo, e ainda ser quem sempre fui.

E é isso.
Eu volto.

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Changing…

Changes

Black Sabbath

I feel unhappy, I feel so sad
I’ve lost the best friend, that I ever had.
She was my woman, I love her so.
But it’s too late now, I’ve let her go.

I’m going through changes.
I’m going through changes.

We shared the years, we shared each day.
In love together, we found a way.
But soon the world, had it’s evil way.
My heart was blinded, love went astray.

I’m going through changes.
I’m going through changes.

It took so long, to realize.
And I can still hear her last goodbyes.
Now all my days, are filled with tears.
Wish I could go back, and change these years.

I’m going through changes.
I’m going through changes.

(Uma tradução)

Não é exatamente o que parece, embora (sim) eu esteja solteiro… Ou seja:

Continua…

A Eterna Sombra de uma Mente Atormentada

Fala a verdade quem disser que sou uma alma (terei isso?) atormentada…

Uma melancolia perene existe, subjacente a tudo o que faço e sinto… A minha sombra interior, que <ironia>carinhosamente</ironia> chamo de O Passageiro, ao contrário da maioria das pessoas não é quieta ou simplesmente agitada… Ela sussurra, inacreditavelmente alto, inapelavelmente audível, impossível de ignorar

Não é dizer que eu seja infeliz, longe disso, mas meus momentos de felicidade vem acompanhados de um perpétuo “e daí?”

Tenho meus poucos e seletos, pessoas importantes que amo e que sempre me fazem bem… Mas há o resto do mundo que afora intelectualmente, não me diz nada

E ainda assim, me satisfaz fazer parte do Greenpeace, fazer trabalho voluntário, e lutar pelos direitos dos que não os teem…

Entretanto nada disso faz com que, real e efetivamente eu me sinta vivo

De volta a programação normal… ^_^

“…ex tenebras ad lucem…” [Convidados]

Ou, das trevas à luz, como disseste, olhando suas sombras. Latim. Não falo latim, falo grego, como era de se esperar. Também não gosto de olhar minhas sombras, o faço por sobrevivência o que me trouxe progressos. Antes caminho às sombras, ou às brumas do mundo. Atraída por elas penetro em seus mistérios, aprofundo-me, como é meu natural.

No mundo de brumas o sol se abre e mostra outros tons. Verdes de cheiros frescos, campos de lavanda. Num mundo de valores e coragem onde talvez estejas também, onde o grego é língua de sábios e o povo comum fala outros sons que identifico como meus iguais a luz deste tempo.

Danço essa música, como disse, no ritmo dos ursos selvagens, precursor dos conceitos de amor e amizade que se tem em conta. Urso apaixonado. Sensorial. Seu desejo é vida corrente e ele luta por ele até a morte, como tem que ser, sem espaço para arrependimentos.

Assim falo o grego, buscando a luz latina no “Cogito, ergo sum” : “penso, logo existo”. Num pensar de lógica complexa, como complexa é a natureza humana.

Por Coral

Este é o primeiro de vários posts de Convidados (ou Guest Bloggers, se preferirem) que pretendo publicar por aqui.

Coral é uma querida amiga, conhecida virtualmente em tempos outros, mas que já tive o prazer de conhecer pessoalmente. Poderia escrever algo sobre ela, mas mais apropriado, além do próprio post acima, é citar o texto do e-mail no qual enviou-me o post…

“Amigo,
Não dá para negar que seu pedido me atraiu e retraiu…rs
Difícil falar na casa alheia, mesmo sendo sua, embora hoje ela tenha, em alguns momentos roupagens diferentes dos fios que nos uniram. Talvez eu não o tivesse reconhecido nestas roupas, e não sei se minhas palavras farão sentido aos seus leitores, mas tenho prazer em joga-las ao vento, principalmente o seu vento, meu caríssimo amigo dos tempos.(…)”

Obrigado, Coral…

Momento Cristina Branco [Música]

Porque me olhas assim
Letra e Música: Fausto Bordalo Dias

diz-me agora o teu nome
se já dissemos que sim
pelo olhar que demora
porque me olhas assim
porque me rondas assim

toda a luz da avenida
se desdobra em paixão
magias de druida
p’lo teu toque de mão
soam ventos amenos
p’los mares morenos
do meu coração

espelhando as vitrinas
da cidade sem fim
tu surgiste divina
porque me abeiras assim
porque me tocas assim
e trocámos pendentes
velhas palavras tontas
com sotaque diferentes
nossa prosa está pronta
dobrando esquinas e gretas
p’lo caminho das letras
que tudo o resto não conta

e lá fomos audazes
por passeios tardios
vadiando o asfalto
cruzando outras pontes
de mares que são rios
e num bar fora de horas
se eu chorar perdoa
ó meu bem é que eu canto
por dentro sonhando
que estou em Lisboa

dizes-me então que sou teu
que tu és toda p’ra mim
que me pões no apogeu
porque me abraças assim
porque me beijas assim

por esta noite adiante
se tu me pedes enfim
num céu de anúncios brilhantes
vamos casar em Berlim
à luz vã dos faróis
são de seda os lençóis
porque me amas assim

Momento Professor [Vida]

Momento nº 1

Leciono como principal atividade já há mais de um ano, e como aprendi a amar (além de ter um gene perdido relacionado, com certeza) ministrar aulas, já está na rotina e no “sangue”… Mas este sábado, comecei com três novas turmas em um novo local de trabalho (cada vez mais me sinto um professor típico do País das Maravilhas Brasil que trabalha em mais de um lugar)…

Apesar da Diretora ser tranquila e ter claramente gostado de mim e do meu curriculum, apesar do material didático, do programa do curso, duração e módulos serem os mesmos do meu local de trabalho principal, em cada uma das turmas, nos momentos inciais, lá estava aquela velha conhecida sensação: o frio no estômago

Momento nº 2

Após minhas primeiras aulas no outro curso fui direto até onde, começando essa semana, ficarei apenas de segunda à sexta-feira, para informar aos meus alunos que não mais estaria com eles.

As aulas foram tranquilas e no final de cada uma, após conversar com eles, vários (a maioria, talvez) vieram me cumprimentar, abraçar…

Momento novo desconhecido para mim: Coração apertado

Amo meus alunos, sinto falta deles quando não comparecem, e quando as turmas encerram. Mas esta sensação de aperto no coração, que já tinha visto retratada em tantos filmes, e contada por minha mãe tantas vezes ao longo da vida, é absolutamente nova…

Sensação que, aliás, continuo a sentir…